sábado, 20 de junho de 2009

Um mes.

Sabem...

Quando voce sabe o meio em que esta vivendo, sabe como as coisas funcionam, sabe que o sistema que te rodeia 'e injusto e cruel, mas voce nao aprende, e sempre espera algo de bom das pessoas que coordenam o lugar em que vc trabalha e vive.

Quando a sua cabeca sabe o que vai acontecer, mas o seu coracao, e sua alma, ainda sim, esperam que o impossivel aconteca e, vc sente que, porque 'e vc, as coisas serao diferentes.

Mas as coisas nao sao diferentes, s'o porque 'e com voce.

Mae, pai, amigos.
Eu tenho um plano.
Se ele nao se concretizar em um mes - um mes - eu vou embora desse lugar.
Vou sair me sentindo uma perdedora, fraca.

Talvez eu seja fraca sim. Sou fraca. Fraca pra injusticas. Fraca pra falta de humanidade. Fraca pra cegueira. Fraca pra crueldade. Fraca pra tanta estupidez junta em um s'o lugar. Fraca pra ser comandada por imbecis. Fraca pra escutar as besteiras do gerente analfabeto e burro e nao poder falar nada.

Meu sangue ferve.
Meu coracao nao se acalma.
Durmo mas nao descanso.
Minha cabeca nao p'ara de pensar.
Eu nao consigo nao absorver essas coisas ruins que me cercam.

O que aconteceu foi:

No final de cada cruzeiro os passageiros recebem um comentario para avaliar o cruzeiro. Um dos t'opicos 'e o servico de restaurante. Eles podem avaliar como 1- excellent 2 - good 3 - fair 4 - poor.
A uniao de todas essas avaliacoes dao a nota do servico do restaurante daquele cruzeiro.

A nota desse penultimo cruzeiro foi muito boa. Mas recebemos um poor. Ou seja, perdemos bastante pontos por causa disso. Se esse poor nao tivesse aparecido, a nota seria fantastica.
Quem recebeu esse poor? Eu e meu garcon. (vcs sabem que sou assistente de garcon - sao sempre um garcon e um assistente por mesa).
Recebemos o poor dessa familia de espanhois que apareceram somente uma vez no resaurante e foram uns babacas. Super grosseiros e mal educados.

Por conta disso estou sendo punida. Estou na estacao mais longe possivel, de dificil acesso. Resumindo, estou l'a na P que pariu.
Sabe, dane-se a estacao que me dao, mas saber que estou sendo punida por uma coisa que nao tive culpa alguma me da um no na garganta.

O supervisor sabe como eu trabalho, s'o recebo elogios de todos os garcons com quem trabalho e todos os outros supervisores. Recebo ``excelente`` nas minhas avaliacoes semanais que outros supervisres fazem. Eu trabalho bem, sou rapida, educada, gentil, nunca reclamo de nada, faco tudo quem me pedem.

Quem da as estacoes 'e o assistente do maitre. ELE SABE COMO EU TRABALHO. ou deveria saber. E mesmo assim, por pura podridao, por uma situacao at'ipica, ele nao esta nem a'i, me joga pra p. que pariu, como se eu fosse um estorvo, algo sujo e desnecessario, que merece passar por isso.

Cada caso 'e um caso. Nesse caso, eu e meu garcon nao tivemos culpa alguma.
Esses passageiros babacas passam pela gente. Todos nos vamos ter o nosso passageiro que veio pra estragar a nossa vida. E, essas pessoas que trabalham a tanto tempo nesse lugar deveriam saber disso.

Pra que serve um supervisor, senao para analisar os casos e agir de acordo com o que acha que 'e certo para cada situacao?

Enfim. Que se danem todos eles.

Um mes. Um mes...

2 comentários:

Anônimo disse...

Ao ler novamente seu desabafo não posso de mandar um bilhetinho:leia com atenção esse poema de Fernando Pessoa que você postou aí aoo lado e ultrapasse com segurança as pedras de seu caminho pois a recompensa virá.
Beijos,sua mãe.

Bernardo Cahuê disse...

Então... sai daí e vem pro Brasil ser jornalista... Agora vc tb pode! Bjus!